Anabolizantes

A procura pelo corpo escultural e/ou pela melhoria na performance esportiva fez com que a procura por recursos ergogênicos – seguros ou não, autorizados ou não – aumentasse substancialmente. Tais recursos são estratégias adotadas que promovem melhora da performance esportiva, podendo trazer efeitos na composição corporal e outros ganhos, como melhora de condicionamento físico, maiores disposição e satisfação com a aparência corporal. Apesar disso parecer positivo para o usuário, nem todos os recursos utilizados são saudáveis, acarretando danos irreversíveis e prejudiciais à saúde – muitas vezes omitidos por quem prescreve.

Há recursos ergogênicos que não são prejudiciais à saúde e estão à venda em qualquer loja de suplementos esportivos, como a creatina. Ela é uma das mais estudadas atualmente, com comprovação científica de benefícios em ganho de força, de explosão em um treino de potência e segurança no uso – inclusive à longo prazo – para o paciente. Em doses adequadas e para os fins apropriados (uma corrida de 100 metros), ela tem grande serventia.

Por outro lado, há os prejudiciais à saúde, e dentre eles, destacam-se os esteroides anabolizantes. Estes são estruturas sintéticas, formadas a partir da testosterona ou de um de seus derivados (oxandrolona e estanozolol, por exemplo), que são utilizados na medicina há pelo menos cinco décadas e com indicação terapêutica para, por exemplo, quadros de hipogonadismo (alteração na produção hormonal pelas gônadas – testículos e ovários). Há motivos certos para a prescrição, ou seja, só usa quem deve, e não quem quer.

Porém, pelos evidentes ganhos de composição corporal e melhorias na performance esportiva, muitos atletas – inclusive amadores – fazem uso de tais substâncias, mesmo sem haver indicação médica para tal. Muito se fala dos benefícios, negligenciando os efeitos colaterais que os usos agudo e crônico de tais substâncias podem promover no organismo.

Dentre os efeitos em homens, destacam-se a atrofia testicular (levando à infertilidade e impotência), hipertrofia e tumores de próstata e ginecomastia; já nas mulheres, vê-se engrossamento de voz, aumento de clitóris, crescimento exagerado de pelos e com distribuição masculina, acne, aumento de oleosidade da pele, irregularidade menstrual e trombose. Para ambas as populações, vemos alteração do perfil lipídico (colesterol e suas frações), aumento de riscos cardiovascular (maiores as chances de infarto), de desenvolvimento de cânceres e de mortalidade (ou seja, maior o risco de falecer).

Tais efeitos dependem da substância utilizada, da dose e de quanto tempo você está fazendo uso da mesma. Assim sendo, quanto mais você usa e por mais tempo, pior. E engana-se quem acredita que usar uma vez na vida não fará diferença, pois a realização de um ciclo já traz alterações na produção corporal dos hormônios.

Desconfie de quem prescreve substâncias mirabolantes e milagrosas, com efeitos rápidos e para fins estáticos. Busque se informar sobre o que está sendo oferecido, pois é a sua saúde em jogo. Emagrecimento, melhoras de performance esportiva e de composição corporal levam tempo. Pular etapas e buscar por métodos perigosos para sua saúde podem custar caro, e nisso me refiro à qualidade de vida e de evitar uma morte prematura.

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