Atividade Física e Gestação

A gestação é um evento especial na vida da mulher e do casal. Há todo um planejamento para receber a melhor forma o novo membro. A cada nascimento, nasce também uma mãe e um pai.

As mudanças na vida da família acontecem não apenas nos âmbitos social e financeiro, como também no organismo feminino, tudo em prol da maneira mais saudável e correta de se gerar a nova vida. Dentre algumas alterações, podemos destacar um maior volume de líquido retido – e que origina até uma anemia por diluição -, maior produção de células do sangue que transportam oxigênio; aumento da ventilação, frequência cardíaca e da frouxidão dos ligamentos; redução de pressão arterial; alterações de glicemia; maior filtração pelo rim, entre outras.

Alguns ditos e crenças populares tendem a ser conservadores quando relaciona grávidas e atividade física. Em virtude do receio de que algo aconteça com a mãe e o feto, há pessoas que chegam a defender o repouso absoluto durante a gestação, acreditando que isso vá trazer benefícios a ambos – o que a ciência comprova ser equivocado. A mulher deve ser fisicamente ativa, desde a concepção até o momento do parto.

Saiba que atividade física NÃO está associada com aborto espontâneo, natimorto, morte neonatal, parto pré-termo ou ruptura prematura de membranas ovulares (conhecido como “romper a bolsa”), hipoglicemia neonatal, baixo peso ao nascimento, defeitos ao nascimento, indução de trabalho de parto ou complicações relacionadas ao parto. Em geral, quanto mais atividade física (frequência, duração e/ou volume) maiores os benefícios. Algo a se saber é que níveis de atividade física acima dos recomendados pelos Colégios Americano de Ginecologia e Obstetrícia e Colégio Americano de Medicina do Esporte não demonstram ser melhores do que o mínimo proposto, mas isso não significa que traga malefícios para o binômio mãe-feto.

A prescrição de atividade física é como a de um remédio: existe dose adequada e contra-indicações. Dentro das contra-indicações, existe as relativas e as absolutas, ou seja, aquelas que permitem ou não, respectivamente, a prática de atividade física. Segundo o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia, nas contra-indicações relativas podemos incluir: diabetes mellitus pouco controlado, obesidade mórbida extrema, histórico de vida muito sedentário, hipertensão pouco controlada, tabagismo grave. Agora, dentre as absolutas, destacam-se: doença cardíaca hemodinamicamente instável, cerclagem por incompetência istmo-cervical, sangramento persistente no 2º e 3º trimestres, bolsa rota, tri/quadrigêmeos, placenta prévia, pré-eclâmpsia ou hipertensão induzida pela gestação.

A prescrição de atividade física, de forma geral e respeitadas as contra-indicações, deve incluir:

  • Frequência: 3 a 4 vezes por semana;
  • Intensidade: moderada se IMC < 25 kg/m2 e leve se IMC >25 kg/m2
  • Tempo: começar com, pelo menos, 15 minutos por dia, até acumular 150 minutos por semana (de intensidade moderada). Pode ser feito 5 dias de 30 minutos cada sessão
  • Treino de força (por exemplo, musculação) deve compreender principais grupos musculares com cargas que permitam realizar de 12 a 15 repetições, e carga submáxima até um cansaço moderado.
  • Progressão: o melhor momento é após o 1º trimestre.

 

Algumas outras recomendações envolvem:

  • Evitar atividade física em calor excessivo, pela alta umidade;
  • Evitar atividade física com risco de queda e traumas: patinação, equitação, mergulhos. Esportes de luta e futebol, que apresentam contato físico, podem ser adaptados, para permitir que a grávida treine em segurança (Por exemplo: na luta, deve-se evitar socos e chutes na barriga e quedas ao solo; no futebol, deve-se priorizar mais chutes e dribles, cobranças de bola parada).
  • É de forte recomendação e de alta qualidade de evidência científica realizar treinamento aeróbico aliado a um treino de força, podendo ainda realizar ioga e atividades de alongamento.

 

Atividades desde o momento pré-natal devem ser consideradas como terapia de primeira linha para reduzir o risco de complicação da gravidez e melhora de saúdes física e mental maternas.

Mulheres previamente ativas devem continuar assim durante toda a gestação, podendo alterar a sua atividade conforme a gestação progride. Para aquelas que não atingiam as recomendações acima, uma introdução às atividades deve ser realizada progressivamente, mediante contra-indicações materno-fetais e tolerância ao esforço da gestante.

Para mulheres atletas ou amadoras que treinam em alta intensidade, tenham em mente que o momento da gestação não é o momento de quebrar recordes pessoais, de subir o monte Everest e de fazer outras atividades tão intensas. A gestação é um momento para ser curtido a todo momento, desde que dentro de limitações físicas e fisiológicas.

Para sua segurança e a do seu bebê, procure um médico do esporte para orientá-la quanto ao esporte mais seguro e prazeroso. Ele fará o seguimento clínico, além de conversar constantemente com seu ginecologista ou médico de família sobre a segurança da gravidez.

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