Atividade física e Hipertensão Arterial

A inatividade física tem sido considerada o maior problema de saúde pública por ser a segunda causa de morte no mundo e fator de risco para surgimento de várias doenças. Esses achados fornecem algumas evidências de que o comportamento sedentário pode estar associado à hipertensão (casos antigos e recém descobertos), independentemente dos níveis de atividade física. Para se ter uma ideia sobre a influência do sedentarismo, mostra-se que pessoas que passam a maior parte do tempo sentadas têm menor sobrevida, ou seja, morrem mais cedo quando são comparadas àquelas que passam pouco tempo sentadas – TV e outras atividades de lazer, trabalho.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS ou Hipertensão Arterial) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevação sustentada dos valores de Pressão Arterial Sistólica maior ou igual à 130 e/ou, da diastólica maior ou igual à 80 mmHg. Frequentemente, a doença se associa a distúrbios metabólicos, alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos-alvo (coração e rins, por exemplo), sendo agravada pela presença de outros fatores de risco, como dislipidemia (colesterol em concentrações ruins), obesidade abdominal, intolerância à glicose e diabetes melito (DM). Mantém associação independente com eventos como morte súbita, acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, doença arterial periférica e doença renal crônica, fatal ou não.

Importância econômica no Brasil: a HAS atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos. Dos adultos, acomete mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para metade das mortes por doença cardiovascular (DCV). Junto com DM, suas complicações têm impacto elevado na perda da produtividade do trabalho e da renda familiar, estimada em US$ 4,18 bilhões entre 2006 e 2015 (cerca de R$16 bilhões de reais na cotação atual).

O diagnóstico é feito com medições repetidas em consultório, em duas ou mais ocasiões, ou confirmado por medições fora do consultório (feito pelos exames chamados MAPA – Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial – ou MRPA – Monitorização Residencial da Pressão Arterial), excetuando-se aqueles pacientes que já apresentem lesão de órgão-alvo detectada (alterações em olhos, rins, coração).

Cada vez mais, sabe-se que a atividade física e o exercício atuam prevenindo e tratando a doença, além de atuar também dessa forma com as outras que geralmente a acompanham (colesterol elevado e diabetes). Porém, assim como um remédio, a atividade física possui uma prescrição adequada (com doses adequadas), para que o paciente fique sempre o mais seguro possível enquanto pratica sua atividade.

Para os hipertensos, em linhas gerais, devemos buscar:

  1. No mínimo, 30 minutos por dia de atividade física moderada, de forma contínua (uma sessão que dure 30 minutos) ou acumulada (2 sessões de 15 minutos ou 3 sessões de 10 minutos); Realizar entre 5 a 7 dias por semana (quanto mais dias de prática, maiores os benefícios).
  2. Treinamento de força (musculação, calistenia, uso de peso corporal):
    1. Frequência: 2 a 3 vezes por semana
    2. Número de exercícios: 8 a 10 para principais grupos musculares, dando prioridade para execução unilateral
  • Séries: 1 a 3 séries
  1. Repetições: 10 a 15 repetições até a fadiga moderada
  2. Pausas longas passivas: 90 a 120 segundos
  1. Os indivíduos com problemas cardiovasculares devem praticar exercícios que movimentem os grupos musculares relativamente grandes (como caminhada, ciclismo e corrida), ao contário dos exercícios que utilizam massa muscular limitada, como trabalhar com uma pá, usar um martelo para colocar pregos em uma posição alta ou ativar uma manivela com os braços.
  2. De preferência, treinar em mais do que um período no dia, por causa do efeito redutor na pressão arterial por até 12 horas. Uma sessão de treino pode reduzir os valores de pressão por até metade de um dia. Ou seja, treinando em mais do que um período (manhã e noite, por exemplo), teríamos a pressão em valores reduzidos por mais tempo (praticamente pelo dia inteiro).

 

Consultar um médico do esporte para saber qual exercício realizar – vulgo, o mais adequado -, as intensidade e frequência, torna-se imprescindível. Cada um tem uma preferência por um esporte, comorbidades diferentes e em estágios também diferentes, rotinas diferentes. O médico do exercício e do esporte conseguiria alinhar com o paciente o ideal para sua saúde em particular.

Deixe um comentário